André Valadão diz que Deus creu para criar o mundo

Por Thiago Schadeck

Em sua participação no programa “Máquina da Fama”, no dia 12/09/16, André Valadão, um dos principais artistas gospel, disse que crer é um princípio divino.

“A terra era sem forma e vazia…mas DEUS CREU, E PORQUE ELE CREU DISSE haja luz…”

A minha dúvida é simples: Deus creu em quem?

O evangelho pregado por esse rapaz deixou, há muito, de ser o pregado por Cristo!
Deus não precisa crer porque nEle reside todo o poder e Ele faz o que lhe apraz.

Que Deus resgate o André e a Lagoinha!




SEXO: as consequências por ser um tabu na igreja 




Já reparou que a maioria das igrejas evangélicas não tem pessoas preparadas para falar abertamente sobre sexo com nossos jovens?
Isso traz grandes prejuízos aos relacionamentos, conforme o texto expõe.






Ainda existem APÓSTOLOS. Glória a Deus por eles!

   

APÓSTOLOS

                          

                                           Por Thiago Schadeck

Como qualquer cristão deve saber, Jesus, quando esteve aqui na terra, chamou alguns homens para caminhar ao seu lado, aprender com ele e, depois de sua morte e ressurreição, continuar o trabalho iniciado por ele. Cristo os chamou sendo homens comuns. Pedro e André, por exemplo, eram pescadores. Mateus, ou Levi, era cobrador de impostos. Cada um vivia sua vida cotidiana.
Enquanto caminhavam com Cristo, foram sendo aperfeiçoados por Ele. Aos poucos foram capacitados para cumprir o chamado apostólico, que ao contrário do que se pode pensar, não era para serem grandes líderes em igrejas imensas e luxuosas, tampouco para serem bem sustentados pela lã e gordura das ovelhas. O seu chamado era para anunciar a Cristo por toda a terra, ainda que isso lhes custasse (como custou) a morte. Foram verdadeiros mártires. Homens, que como disse o escritor aos Hebreus, que o mundo não era digno. Foram eles que, no início da igreja, com seu sangue e suor, mantiveram a mensagem de boas novas viva. Cheios do Espírito Santo, não se calaram ante as ameaças dos poderosos de sua época.
Em Atos 1, depois do suicídio de Judas e às vésperas da descida do Espírito Santo, em pentecostes, os apóstolos decidiram que precisavam subistituir o traidor. Para isso, impuseram que alguns critérios deveriam ser cumpridos, como ter acompanhado o ministério de Jesus e tê-lo visto ressucitado. Trouxeram então José e Matias, que foi escolhido.
Quando Jesus, no caminho de Damasco, aparece a Paulo e o chama para serví-lo, deixa bem claro que sua vida, dali em diante, não seria nada fácil. O Senhor disse que Ananias deveria ir orar por Paulo e que Cristo lhe mostraria o quanto ele deveria sofre por Seu Nome (Atos 9:16). Paulo foi, sem dúvida, o apóstolo que mais sofreu. Preso em cada cidade que passava, apedrejado à ponto de ter de se fingir de morto, espancado, humilhado e, provavelmente, decaptado!
Hoje, só no Brasil, temos mais de sete mil apóstolos, mas que em comum com os da Bíblia, tem apenas o título. Em grande parte, são pessoas que não se conformaram “apenas” com o status de pastor e quiseram dar um upgrade ministerial. Ter o título de apóstolo hoje é como uma credencial espiritual. Um apóstolo é visto como alguém espiritualmente acima dos demais, além de ser visto como o portador dos dons de Deus para a igreja. Levam uma vida muito mais luxuosa que os membros de suas igrejas e baseiam sua fé muito mais em passagens do Antigo Testamento que nos evangelhos. Ensinam atos as pessoas a crerem em atos e palavras proféticas, ter fé na fé, usar todo tipo de amuletos, fazem de Israel uma Disney espuritual, batizam pessoas no Rio Jordão sob o pretexto de que Jesus se batizou lá e isso transforma o batismo em algo mais especial. Pior quando rebatizam a pessoa, apenas porque a primeira descida às águas não foi no “ungido” Jordão. Infelizmente, nas preleções desses apóstolos, pouco falam sobre Cristo e sua obra vicaria na cruz. Quase nada falam sobre a humildade, amor ao necessitado, socorro aos que padecem. Seus discursos se baseiam em honra e sucesso. Um grande influenciador dos apóstolos brasileiros mostra o quanto eles pensam que são superiores:
“Pastores geram ovelhas, apóstolos geram multidões”
Mas não é desses que se autointitulam apóstolos que quero falar. Eles não cumprem o chamado apostólico, seu foco é a agenda eclesiástica. São como os grades fariseus do tempo de Jesus, que demonstravam uma grande espiritualidade, mas ai de quem ousar questioná-los. Faça o teste, veja como são mansos na TV e como agem quando enfrentados. Quer um teste melhor? Nas rádios eles dão números de seus telefones para as pessoas avisarem por WhatsApp quanto vão ofertar para manter a programação no ar, mande mensagens pedindo para que eles revelem algo para você e depois deixe claro que ele errou. Você verá a espiritualidade do apostolo. Já fiz isso algumas vezes.
Por outro lado, ainda existem apóstolos, que não carregam, e nem fazem questão de carregar, esse título. São pessoas que deixam tudo para colocar seus pescoços na guilhotina em países em que a pregação do Evangelho é proibida. Milhares de cristãos morrem ano após ano nas mãos dos tiranos de nossa época. Sabem que se forem pegos, terão o real encontro com Deus, será quase impossível ter sua vida poupada. Tem milhares de missionários na “Janela 10 x 40”, que é composta pelos países muçulmanos que mais perseguem cristãos no mundo, que não podem mencionar, de forma alguma, o motivo de deixar o seu país para morar numa terra estranha. Tem que se indentificar como professores, técnicos de futebol, trabalhadores braçais, enfim, tem de ser uma espécie agente secreto. O trabalho desses apóstolos é basicamente o de ser sal onde estiverem. Assim como quando se tempera uma comida, o sal é colocado aos poucos para dar sabor, o atual apóstolo verdadeiro sabe que não pode “salgar” demais a relação com as pessoas, porque, como no xadrez, um movimento errado coloca tudo a perder, inclusive sua vida e dos que convivem consigo. Lembre-se: sal demais mata! Causa hipertensão e pedras nos rins.
Por eles, através da ação do Espírito Santo, milhares de pessoas, nos mais longínquos e perigosos locais, têm ouvido a mensagem do Evangelho. Aqueles que jamais teriam como conhecer, de fato, a história de Cristo, ganharam uma chance.
Tudo isso porque ainda existem apóstolos hoje em dia. E glória a Deus por eles!

Sugiro que você leia o livro: “O Contrabandista de Deus”, do Irmão André, fundador da Missão Portas Abertas. Ele é um desses apóstolos atuais!

Que Deus te abençoe!




Você ainda não compreendeu o Evangelho se…

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Por Thiago Schadeck

Segundo o último censo do IBGE, em 2010, o Brasil tinha, à época, 50 milhões de evangélicos. Hoje, creio que há muito mais. Somos cerca de 25% de toda a população. Claro que com esse crescimento, foi se embora aquele esteriótipo que crente é alguém pobre, com pouco estudo, fanático e ignorante. Sim, ainda existem muitos desses, mas estão muito diluidos dentre os demais grupos. Tem pobres, ricos, analfabetos, estudados, bem educados, sem educação, enfim, todo tipo de gente.

Acontece que com o inchaço da igreja – à diante você perceberá que não houve crescimento – as pessoas aderem a um novo tipo de pensamento, mas quase nunca ao verdadeiro Evangelho. Sabem de cór e saltiado as letras das músicas, mas demoram para encontrar o livro de João na Bíblia. Não conhecem as histórias bíblicas e nem o Cristo apresentado pelas Escrituras, só o da igreja. São analfabetos bíblicos!

A nossa geração de crentes se assemelha muito ao mordomo da Rainha de Candace (Atos 8:26-40), que voltava de Jerusalem, onde havia ido adorar a Deus, lendo as escrituras, porém sem entender nada. É idêntico a milhares de crentes atuias que vão à igreja, adoram a Deus e lêem a Biblia sem entendê-la. São rasos e incapazes de transmitir àquilo que crêem a alguém. Não é raro alguém não saber falar de Cristo a um necessitado e levá-lo ao pastor e delegar-lhe a responsabilidade.

Crentes com mais de 10 anos de convertidos e que não conhecem, de fato, a Deus. O Senhor é alguém distante e pouco intimo. Mal sabem explicar porque estão na igreja, quase sempre porque precisam de algo que julgam poder alcançar apenas por uma intervenção divina. E não é a salvação!

Vejamos alguns pontos que demonstram desconhecimento sobre o Evangelho verdadeiro:

Se você pensa que determina aquilo que Deus deve fazer:
Com o inchaço da igreja evangélica ocorreu um fenômeno antibiblico e demoníaco, os homens passaram a querer mandar em Deus. Não é raro ouvir em uma igreja neopentecostal que você deve exigir, decretar e determinar aqulilo que Deus deve fazer.
O Senhor é o criador de tudo, inclusive do ser humano. Se você acha mesmo que pode dizer a Deus o que Ele deve fazer, sugiro que antes se prepare para responder as perguntas que ele fez a Jó (Jó 38:4-41) ou se preferir, responda apenas a pergunta feita pelo apóstolo Paulo:
“Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” (1 Coríntios 2:16)
Ninguém é capaz de aconselhar a Deus acerca do que é melhor. Ter a mente de Cristo é exatamente o contrário, é submeter-se totalmente à vontade do Pai (Filipenses 2, Mateus 26:39)

Se você pensa que o Diabo tem poder sobre a sua vida:
Tem crentes convertidos há anos e que ainda pensam que Satanás pode fazer o que quiser com suas vidas. Certamente não foram bem instruídos biblicamente. São neuróticos e vêem a ação do Diabo em tudo, mas sequer conseguem ver o agir de Deus no seu dia a dia. Alguém realmente salvo, que teve um encontro verdadeiro com Cristo, que tem o Espírito Santo habitando em si, tem a plena convicção de que maior é o que está em nós.
Para exemplificar bem isto, podemos usar a história de Jó. Deus não permitiu que o Diabo fosse além daquilo que Ele havia autorizado. O Senhor, apesar de permitir o sofrimento de Jó, não o abandonou à sua própria sorte em momento algum, Deus não mandou Jó se virar com o Diabo, mas supervisionou tudo em todo o tempo.
Além disso, Cristo venceu o inimigo na cruz:
“E a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.” (Colossenses 2:13-15)
Quando aqueles que rodeavam a cruz pensavam que o Salvador havia sido derrotado, Cristo, na verdade, estava alcançando a maior vitória da humanidade: a vitória sobre a morte e o pecado! Depois da cruz a possibilidade de salvação se tornou real, agora todos tem acesso à Deus. O véu está rasgado!

Se você pensa que a oração de uns é mais poderosa que de outros:
Basta ligar o rádio ou a tevê para encontrar pastores alegando que farão uma oração especial ou forte para você, porque eles têmse consagrado para buscar a sua vitória e assim Deus te atenderá. Isso é MENTIRA!
Deus não se comove com essas coisas e nem permite terceirizarmos a nossa fé. Temos de entender a diferença entre intercessão e transferência de responsabilidade. Na intercessão alguém me ajuda em oração, o que é correto e bíblico. Devemos participar dos sofrimentos de nossos irmãos, mas isso não nos dá o direito de transferir a responsabilidade da luta em oração a outra pessoa. Seja quem for!
E aos que defendem à pratica porque crêem que Deus ouve mais aos seus queridinhos, proponho que leia a parábola do Fariseu e o Publicano, contada por Jesus em Lucas 18:10-14. O justificado da história não foi o religioso arrogante que pensava ter uma linha direta com Deus, mas o pecador confesso e humilhado.
Davi escreveu no Salmo 34:18:
“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.”
Deus não se ilude com nossos biquinhos de choro e sentimentalismo barato. Ele vê o nosso coração e sabe o quão quebrantados estamos.

Se você pensa que sua oferta compra o favor de Deus:
Diariamente as estações gospel transmitem centenas de testemunhos de pessoas que alcançaram alguma bênção após se associar a um projeto de ofertas para manter a programação no ar. Vendem isso como se a forma de ter o favor de Deus fosse comprando. É o espírito de Simão, o mágico, perambulando em meio às igrejas. Se você não sabe quem foi Simão, não Pedro, mas o mágico, leia Atos 8:9-25 e compreenderá a história.
Resumidamente, os apóstolos passaram pregando por várias cidades, em uma delas Simão ouviu a mensagem do Evangelho e passou a segui-los. Chegou a se batizar e acompanhar os apóstolos pelo caminho – tornou-se crente! Certo momento, ao ver os milagres sendo operados pelos apóstolos, Simão teve uma idéia brilhante: oferecer dinheiro para obter o mesmo poder. Infelizmente ele não contava que faria a proposta a um homem de Deus e não a um corrupto, como os que vemos hoje. A resposta de Pedro, o Simão cristão da história, foi clara e direta: “Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus.” (Atos 8:20)
Lamentavelmente hoje há muitos oferecendo o poder de Deus nas banquinhas de camelô dos púlpitos. Esqueceram apenas que Deus não aceita suborno (2 Crônicas 19:7).
Como um ser humano imagina que poderia mover o coração do dono do ouro e da prata, usando dinheiro? TUDO É DELE!

Se você pensa que há pecados mais graves que outros:
Os crentes se especializaram em categorizar os pecados. Uns são considerados leves, outros extremamente pesados, alguns imperdoáveis. A Bíblia é explícita em dizer que o único pecado sem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Todos os outros são pecados iguais e capazes de nos levar ao inferno, caso não haja arrependimento verdadeiro.
Por que ainda insistimos em condenar homossexuais, mas fingimos não ver a mentira que contamos? Por que o adultério é tão grave aos nossos olhos, mas a inveja é tratada como uma mera admiração?  Por que temos os católicos como idólatras, mas ai de quem falar do nosso líder?
No frigir dos ovos, pecado grave é aquele que o outro pratica, os meus Deus releva porque sabe que sou pecador arrependido. É sempre mais fácil condenar o outro pelo pecado diferente do meu. Difícil mesmo é abandonar os meus e imitar a Cristo.

Existem vários outros pontos que demonstram o desconhecimento ao Evangelho verdadeiro e oro para que Deus nos ilumine e mostre se o que temos seguido é realmente o Caminho ensinado por Ele. Cristo é o modelo perfeito, o imitemos e certamente seremos pessoas muito melhores.
Que a revolta com o pecado comece por nós mesmos, depois pela nossa igreja e por fim, a sociedade que não conhece a Deus. Se formos como Jesus, enxergaremos uma alma necessitada de salvação por trás do pecado e não o contrário.  Haverá mais compaixão com os que perecem.




Festas Bíblicas Judaicas: Devemos Segui-las?

 

Shofar

“As festas bíblicas são ordens sagradas do Senhor. Elas não são apenas judaicas; são, antes de mais nada, do Senhor, declaradas como estatuto eterno (Lv. 23:1-44). Essas festas não são um convite para que a Igreja volte à primeira aliança, mas para sustentar a mensagem que elas transmitem. Elas apontam para o fim, para o Cordeiro e falam da parusia, ou seja, a segunda vinda do Messias.”

“Preste atenção ao que está sendo ministrado, pois Roma não deseja que nossos olhos sejam abertos. Roma quer nos prender ao paganismo. Esse paganismo se traduz na tentativa de deixar as festas bíblicas no esquecimento e de pegar as festas pagãs e tentar cristianizá-las. Porém, Deus abriu os nossos olhos. Não estamos mais debaixo da escuridão, pois o Senhor nos trouxe para a luz.”

(Ap. Renê Terra Nova).

A frase do autodenominado “apóstolo” René Terra Nova demonstra bem a necessidade de estudarmos este assunto: a Igreja deve guardar festas e costumes judaicos? A Bíblia deixa alguma evidência de que tais práticas são para os cristãos?

Independentemente de dados históricos extra-bíblicos, devemos nos deter ao estudo das Escrituras para esclarecermos tais questionamentos. É da Bíblia a Palavra final sobre o assunto!

Para começarmos nosso estudo, é interessante nos debruçarmos sobre a carta de Paulo aos gálatas, pois os irmãos da Galácia estavam passando por uma situação semelhante à da igreja de hoje.

Quando Paulo escreveu aos gálatas, os judeus estavam presentes em todo o Império Romano, principalmente nas cidades mais importantes. Muitos deles se converteram ao cristianismo e, dentre os convertidos, havia aqueles que queriam impor a lei mosaica sobre os cristãos gentios. São os “judaizantes”. Assim como os fariseus e saduceus perseguiram Jesus durante o período mencionado pelos evangelhos, os judaizantes pareciam estar sempre acompanhando os passos de Paulo a fim de influenciar as igrejas por ele estabelecidas. Essa questão entre judaísmo e cristianismo percorre o Novo Testamento.

Os judaizantes estavam também na Galácia, onde se tornaram uma forte ameaça contra a sã doutrina das igrejas.

Aqueles judeus davam a entender que o evangelho estava incompleto. Para conseguirem uma influência maior sobre as igrejas, eles procuravam minar a autoridade de Paulo. Para isso, atacavam a legitimidade do seu apostolado, como tinham feito em Corinto.

O EVANGELHO JUDAIZANTE

Os judaizantes chegavam às igrejas com o Velho Testamento “nas mãos”. Isso se apresentava como um grande impacto para os cristãos. O próprio Paulo ensinava a valorização das Sagradas Escrituras. Como responder a um judeu que mostrava no Velho Testamento a obrigatoriedade da circuncisão e da obediência à lei? Além disso, apresentavam Abraão como o modelo para os servos de Deus.

Os judaizantes ensinavam que a salvação dependia também da lei, principalmente da circuncisão. Segundo eles, para ser cristão, a pessoa precisava antes ser judeu (não por descendência, mas por religião). Foi para combater as heresias judaizantes que Paulo escreveu aos gálatas e mostrou àqueles irmãos que voltar as práticas e aos cerimoniais da Lei era cair da graça. (Gálatas 5:1-10):

“1 ¶ ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. 2 Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. 3 E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. 4 Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído. 5 Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça. 6 Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor. 7 Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? 8 Esta persuasão não vem daquele que vos chamou. 9 Um pouco de fermento leveda toda a massa. 10 Confio de vós, no Senhor, que nenhuma outra coisa sentireis; mas aquele que vos inquieta, seja ele quem for, sofrerá a condenação.” (Gl 5:1-10)

Algo parecido tem acontecido na Igreja brasileira nos dias atuais. Os judaizantes modernos ensinam que devemos guardar as festas judaicas, ler a Torah nos cultos, etc.

É muito comum vermos cristãos usando kipás (bonezinho usado pelos judeus), buscando ligações genealógicas com o povo israelita para que possam obter nacionalidade judia, entre outras coisas. Até mesmo nos cultos de algumas igrejas, músicas e danças judaicas foram inseridas.

Em nome do amor a Israel a bandeira da nação é colocada na igreja (será que um árabe desejoso por conhecer Cristo entraria nesta igreja?), o shofar é tocado e promovem-se as festas com a promessa de uma nova unção sobre a vida de quem participa de tais celebrações.

Há igrejas onde as pessoas não podem adentrar ao templo de sandálias ou sapatos e são orientadas a tirar os calçados, pois, segundo ensinam, irão pisar terra santa.

Há notícias de denominações no Brasil onde os assentos foram retirados dos templos e os crentes ficam de joelhos em posição semelhante à usada pelos judeus nas sinagogas.

Uma famosa “apóstola” apregoa inclusive a necessidade da Igreja Evangélica brasileira guardar o sábado. Em uma entrevista a antiga revista Vinde, ela declarou: “Meu contato com Israel me mostrou várias coisas, como os dias proféticos, as alianças: seis dias trabalharás e ao sétimo descansarás. Êxodo 31 declara que o sábado é o sinal de uma aliança perpétua e da volta de Cristo”.

Afinal, devemos ter a preocupação de celebrar as festas judaicas, usar kipá, colocar pano de saco, banhar-se de cinzas? O cristão tem essas obrigações? O que diz a Palavra sobre o assunto?

Sobre a idéia da guarda do sábado e a sugestão da pastora de que isso faz parte de uma aliança perpétua, verifiquemos o seguinte:

Usar a expressão “aliança perpétua” para referir-se à aliança feita entre Deus e Israel é desconhecer a transitoriedade dessa aliança apontada pela Bíblia. Se não, vejamos. A Bíblia menciona a existência de duas alianças. A primeira foi firmada entre Deus e o povo de Israel (Êxodo 19.1-8), logo que saiu da terra do Egito e se acampou junto ao Monte Sinai. A aliança foi ratificada com o sangue de animais como se lê em Êxodo 24.1-8. No livro de Hebreus, o escritor se reporta a esta aliança, dizendo: “18 Por isso também o primeiro não foi consagrado sem sangue; 19 Porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissope, e aspergiu tanto o mesmo livro como todo o povo, 20 Dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado.” (Hb 9:18-20)

Essa aliança não integrava o povo gentio (Salmo 147.19 e 20): “19 Mostra a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e os seus juízos a Israel. 20 Não fez assim a nenhuma outra nação; e quanto aos seus juízos, não os conhecem. Louvai ao SENHOR.” (Sl 147:19-20)

Embora o povo de Israel tivesse prontidão em responder que observaria essa aliança, na verdade, não a cumpriu, de modo que Deus prometeu nova aliança. Essa promessa foi registrada por Jeremias: “31 Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. 32 Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. 33 Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 34 E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.” (Jr 31:31-34).

Novamente, o escritor do livro de Hebreus se reporta a essa nova aliança, afirmando que ela já tinha sido estabelecida por Jesus Cristo: “6 ¶ Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. 7 Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda.” (Hb 8:6-7). Ainda Paulo, falando sobre a antiga aliança, declara: “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2Co 3:6). Logo, não se pode falar em “aliança perpétua”, referindo-se à primeira aliança entre Deus e Israel.

O que talvez a apóstola quisesse, mas não o fez, era dizer que o sábado é um mandamento perpétuo, como se lê em Êxodo 31. 16 e 17. Todavia, ainda assim, ela estaria incorreta. Não procede dizer que a guarda do sábado deva ser observada pelos cristãos hoje. Isto porque a palavra perpétuo não se aplica só ao sábado, mas também a vários outros preceitos que os guardadores do sábado nunca se dispuseram a cumprir, como, por exemplo, a circuncisão pois Gênesis 17.13-14 diz o seguinte: “Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança”. E agora, teremos que nos circuncidar também? Ou não seria mais coerente guardar o significado espiritual de tais ordenanças e não o seu aspecto cerimonial?

Um outro argumento da “apóstola” é a de que o domingo tem origem pagã, ela diz: “Roma teve um imperador que adorava o sol. Daí Sunday (dia do sol) [do inglês, domingo]. Por essa questão pagã, a tradição chegou até nossos dias…”.

Entretanto, esse é um argumento pueril, freqüentemente citado por eles para imprimir a idéia de que a guarda de outro dia que não o sábado é de origem estritamente pagã. Tão pagã quanto a palavra Sunday é Saturday (dia de Saturno), sábado, em inglês. O dia era dedicado ao deus Saturno e prestava-se culto com orgias e muita bebida. Os dias da semana levavam nomes pagãos e não só o domingo.

Constantino, por sua vez, foi o primeiro imperador romano a adotar o cristianismo. Quando o fez promulgou vários decretos em favor dos cristãos, destacando-se o de 7 de março de 321. Se vale o argumento de que a guarda do domingo é de origem pagã por ter sido Constantino quem firmou o primeiro dia da semana como dia de guarda, então teria que reconhecer que a doutrina da Trindade também tem origem pagã, pois foi o mesmo Constantino quem presidiu o Concílio de Nicéia, em 325, quando foi reconhecida biblicamente a deidade absoluta de Jesus. Jesus sempre foi Deus verdadeiro ou passou a sê-lo depois do Concílio de Nicéia? E o domingo passou a ser dito como dia de adoração em decorrência do decreto imperial ou os cristãos já o tinham como dia de adoração?

Quanto ao uso do Kipá, atente para o significado desta indumentária judaica segundo judeus messiânicos:

“Kipá – Simboliza que há alguém acima de você – O significado da palavra kipá é “arco”, que fica compreensível quando pensamos em seu formato. A kipá é um lembrete constante da presença de Deus. Relembra o homem de que existe alguém acima dele, de que há Alguém Maior que o está acompanhando em todos os lugares e está sempre o protegendo, como o arco, e o guiando. Onde quer que vá, o judeu estará sempre acompanhado de Deus”.

“É costume judaico desde os primórdios um homem manter sua cabeça coberta o tempo todo, demonstrando com isso humildade perante Deus. É expressamente proibido entrar numa sinagoga, mencionar o nome Divino, recitar uma prece ou bênção, estudar Torá ou realizar qualquer ato religioso de cabeça descoberta”.

Fica o questionamento: é necessário para um cristão usar um kipá para lhe lembrar a presença de Deus? É preciso usar esse gorrinho para não esquecer de que Deus é Soberano e está acima de todos?

Não basta para o verdadeiro cristão o fato de que o próprio Deus habita em nós por meio do Seu Espírito? Fica o questionamento de Paulo aos coríntios: (1 Coríntios 3:16) “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.

 

POR QUÊ NÓS CRISTÃOS NÃO GUARDAMOS A LEI?


1o – A lei de Moisés foi dada aos filhos de Israel (Êx.19,3,6). Nós, cristãos gentios, não somos filhos da nação Israel.

2o – Jesus cumpriu a lei cerimonial. Tal cumprimento significa não apenas sua obediência, mas a satisfação das exigências da lei cerimonial através da obra de Cristo.

Precisamos entender que os mandamentos da lei mosaica se dividem em vários tipos. Vamos, basicamente, dividi-los em mandamentos morais, civis e cerimoniais:

Os mandamentos morais dizem respeito ao tratamento para com o próximo: Não matarás; Não adulterarás; Não furtarás, etc. Tais ordenanças estão vinculadas à palavra amor.

Os mandamentos civis são aqueles que regulamentavam a vida social do israelita. São regras diversas que se aplicam às relações da sociedade. Um bom exemplo é o regulamento da escravidão.

Os mandamentos cerimoniais são aqueles que se referem estritamente às questões religiosas. São as ordenanças que descrevem os rituais judaicos.

A classificação de um mandamento dentro desses tipos nem sempre é fácil. Algumas vezes, uma lei pode pertencer a dois desses grupos ao mesmo tempo, já que a questão religiosa está por trás de tudo. A sociedade israelita era essencialmente religiosa. O Estado e o sacerdócio nem sempre se encontravam separados. Contudo, tal proposta de classificação já serve para o nosso objetivo.

A lei moral se resume no amor a Deus e ao próximo, como é dito em Gálatas 5.14 “Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.Os princípios morais permanecem válidos no Novo Testamento. Hoje, não matamos o próximo, mas não por causa da lei de Moisés e sim por causa da lei de Cristo (Gálatas 6.2) “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” à qual os gálatas deviam obedecer. A lei de Cristo é a lei do amor a Deus e ao próximo.

As leis civis do povo de Israel não se aplicam a nós. Além dos motivos já expostos, nossas circunstâncias são bastante diferentes e temos nossas próprias leis civis para observar. O cristão deve obedecer as leis estabelecidas pelas autoridades humanas enquanto essas leis não estiverem ordenando transgressão da vontade de Deus (Rm.13.1) “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”.

As leis cerimoniais judaicas foram abolidas por Cristo na cruz (o significado de cada uma delas se cumpriu em Cristo). Por esse motivo, mesmo os judeus que se convertem hoje ao cristianismo estão dispensados da lei cerimonial judaica. Por isso, não fazemos sacrifícios de animais, não guardamos o sábado, não celebramos as festas judaicas, etc.

Se alguém quiser observar algum costume judaico, isso não constituirá problema, desde que a pessoa não veja nisso uma condição para a salvação e nem prometa através destas coisas tornar alguém mais espiritual. (Rm 14.-8)

“1 ¶ ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. 2 Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. 3 O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. 4 Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. 5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. 6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come, e dá graças a Deus. 7 Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. 8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” (Rm 14:1-8 ACF)

O problema é justamente a conotação dada a essas festas e aos costumes judaicos por pessoas de movimentos judaizantes. Por exemplo, dizem que se não celebrarmos as festas estaremos sendo devedores ao Senhor e que celebrar seria repreender o “espírito de Roma” da Igreja, que o Evangelho estaria de volta a Jerusalém, etc.

Celebrar uma festa judaica na igreja como representação simbólica do período vetero-testamentário nada tem de mais, no entanto, colocar isso como obediência de mandamento é certamente abandonar a graça de Deus e voltar a Lei.

Já há gente se vestindo de pano de saco e banhando-se de cinzas para mostrar arrependimento. Em certos ambientes, para se aproximar do púlpito é preciso que os crentes tirem os calçados, pois estariam pisando em “lugar santo”. Com isso, a obra de Cristo estará sendo colocada em segundo plano, como algo incompleto e insuficiente, como fica claro em Gálatas 5.4-6 “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor”.

Além de tudo isso, é bom que citemos as palavras de Paulo: “..não estais debaixo da lei mas debaixo da graça.” (Rm.6.14).

O Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho escreveu o seguinte sobre a rejudaização da Igreja:


A rejudaização do evangelho tem um lado comercial e outro teológico. O comercial se vê nas propagandas para visita à “Terra Santa”. O judaísmo girava ao redor de três grandes verdades: um povo, uma terra e um Deus. No cristianismo há um povo, mas não mais como etnia. A Igreja é o novo povo de Deus, herdeira e sucessora de Israel, composta de “homens de toda tribo, e língua e povo e nação” (Ap 5.9). Há também um Deus, que se revelou em Jesus Cristo, sua palavra final (Hb 1.1-2). Mas não há uma terra santa. No cristianismo não há lugares e objetos santos. O prédio onde a Igreja se reúne e que alguns chamam, na linguagem do Antigo Testamento, de “santuário”, não é santuário nem morada de Deus. É salão de cultos. O Eterno não mora em prédios, mas em pessoas. Elas são o santuário (At 17.24, 1Co 3.16, 6.19 e Hb 3.6). Deus não está mais perto de alguém em Jerusalém que na floresta amazônica, nos condomínios, favelas e cortiços das grandes cidades. No cristianismo, santo não é o lugar. São as pessoas. Não é o chão. É o crente. E Deus pode ser encontrado em qualquer lugar. Não temos terra santa, e sim gente santa.

A propaganda gera uma teologia defeituosa. Pessoas vão à Israel para se batizar nas águas onde Jesus se batizou. Ora, o batismo é único, singular e sem repetição. Ele segue a conversão e mostra o engajamento da pessoa no propósito eterno de Deus. Uma pessoa que foi batizada, após conversão e profissão de fé, numa igreja bíblica, não se batiza no rio Jordão. Apenas toma um banho. E, sem o sentido filosófico do ser e do vir a ser de Heráclito, aquele não é o Jordão onde Jesus foi batizado porque as águas são outras. As moléculas de hidrogênio e oxigênio que compunham aquele Jordão podem estar hoje em alguma nuvem. Ou na bacia amazônica. Ou no mar. Até no Tietê. É mero sentimentalismo e não identificação com Jesus. É lamentável que pastores conservadores em teologia “batizem” crentes já batizados no Jordão. Isto é vulgarizar o batismo, tirando seu valor teológico.

Não sou contra turismo. Faça-o quem puder e regozije-se com a oportunidade. Sou contra o entortamento da teologia como apelo turístico. Temos visto pastores com sal do mar Morto, azeite do monte das Oliveiras (há alguma usina de beneficiamento de azeitonas lá?) e até crucifixos feitos da cruz de Jesus (pastores evangélicos, sim!). Há um fetichismo com terra santa, areia santa, água santa, sal santo, folha de oliveira santa, etc. No cristianismo as pessoas são santas, mas as coisas não. A rejudaização caminha paralelamente com a superstição e feitiçaria. É parente da paganização. Não estou tecendo uma colcha de retalhos. Tudo isto é produto de uma hermenêutica defeituosa, que não compreende as distinções entre os dois Testamentos, os critérios diferentes para interpretá-los, a pompa e liturgia do judaísmo em contraposição à desburocratização do cristianismo e que a palavra final de Deus foi dada em Jesus Cristo. É o NT que interpreta o AT e não o AT que interpreta o NT.

 

Um outro fator abordado pelo pastor Isaltino é a tal “restauração do sacerdócio”. O pastor visto como um intermediário da relação do homem com Deus. Sabemos que no NT o sacerdócio universal do crente fica claro, nem um filho de Deus precisa de sacerdotes humanos para ter acesso ao Pai. Temos a Cristo como o nosso Mediador:

Entretanto, a incidência do uso do termo “leigo” para os não consagrados aos ministérios é reveladora. Todos nós somos ministros, pois todos somos servos. E todos somos leigos, porque todos somos povo (é este o sentido da palavra “leigo”, alguém do povo). Não temos clero nem laicato. Somos todos ministros e somos todos povo. Mas cada vez mais as bases ministeriais são buscadas no Antigo Testamento e não no Novo. Usamos os termos do Novo com a conotação do Antigo. O pastor do NT passa a ter a conotação do sacerdote do AT. É o “ungido”, detentor de uma relação especial com Deus que os outros não têm. Só ele pode realizar certos atos litúrgicos, como o sacerdote do AT. Por exemplo, batismo e ceia só podem ser celebrados por ele. Assumimos isto como postura, mas não é uma exigência bíblica. Na batalha espiritual isto é mais forte. Os pastores tornam a igreja dependente deles. Só eles têm a oração poderosa, a corrente de libertação só pode ser feita por eles e na igreja, só eles quebram as maldições, etc.

O sentido teológico do sacerdote hebreu parece permear fortemente o sentido teológico do pastor neotestamentário na visão destas pessoas. Este conceito convém ao pastor que prefere ser chamado de “líder”. Ele se torna um homem acima dos outros, incontestável, líder que deve ser acatado. Tem uma autoridade espiritual que os outros não tem. O Antigo Testamento elitiza a liderança. O Novo Testamento democratiza. Para os líderes destes movimentos, o Novo Testamento, a mensagem da graça e a eclesiologia despida de objetos, palavras e gestual sagrados não são interessantes. Assim, eles se refugiam no AT. Por isso há igrejas evangélicas com castiçais de sete braços e estrelas de Davi no lugar da cruz, bandeira de Israel, guardando festas judaicas, e até incensários em seus salões de cultos. Há evangélicos que parecem frustrados por não serem judeus. A liturgia pomposa do judaísmo é mais atraente e permite mais manobra ao líder que se põe acima dos outros. Concluindo, a atração pelo poder é maior do que o desejo de servir.

 

A RESPOSTA DE PAULO AOS JUDAIZANTES DA GALÁCIA:


A perniciosidade da influência judaica na Galácia estava no fato de atentar contra a essência do evangelho. Os judeus queriam acrescentar a circuncisão como condição para a salvação. Se assim fosse, o cristianismo seria apenas mais uma seita do judaísmo. Então, Paulo vem reforçar o ensino de que a salvação ocorre pela fé na suficiência da obra de Cristo. Para se conhecer a suficiência é preciso que se entenda o significado. Em sua exposição, Paulo toma Abraão como exemplo, assim como fez na epístola aos Romanos, afirmando que o patriarca foi justificado pela fé e não por obediência à lei. Tal exemplo era de grande peso para o judeu que lesse a epístola. Na seqüência, o apóstolo expõe diversos aspectos da obra de Cristo e do Espírito Santo na vida do salvo sem as imposições da lei.

 

COMPARAÇÃO ENTRE CARACTERÍSTICAS E EFEITOS DA LEI E DA GRAÇA


A lei mosaica se concentrava em questões visíveis, embora não fosse omissa com relação ao espiritual. Os pecados ali proibidos eram, principalmente, físicos. Assim também, a adoração era bastante prática. Seus preceitos determinavam o local, a postura, a roupa, o tempo apropriado, etc. No Novo Testamento, Jesus vem transferir a ênfase para o espiritual, embora não seja omisso em relação ao físico. Ao falar com a mulher samaritana, Jesus observa que ela estava muito preocupada com os aspectos exteriores da adoração a Deus. Isso era característica da ênfase do Velho Testamento. Jesus lhe disse:
“A hora vem e agora é em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade” (João 4.23). Vemos nisso a ênfase do Novo Testamento: que é espiritual.

 

Contrastes entre a Lei e a Graça


LEI / MOISÉS

Mostra o pecado

Enfatiza a carne

Traz prisão e morte

Infância

Traz maldição

GRAÇA / JESUS / CRUZ

Perdoa o pecado

Enfatiza o espírito

Traz libertação e vida

Maturidade

Leva a maldição

Aponta pra Cristo

Conduz ao Pai

 

PRESERVAÇÃO DA LIBERDADE


Paulo admoestou os gálatas para que se lembrassem do significado da obra de Cristo, a qual teve o objetivo de libertá-los. Agora que eram livres, não deveriam voltar ao domínio da lei.

Voltar à lei é negar a graça e perder os seus efeitos, ele mostra isso enfaticamente no Capítulo 5. É renunciar aos direitos de filho e voltar a viver como servo (Sara e Hagar). É renunciar à liberdade cristã, a qual foi comprada pelo precioso sangue do nosso Senhor. A história de Israel foi uma seqüência de cativeiros e libertações. Não podemos permitir que a nossa vida seja assim.

Os judaizantes estavam querendo impor a marca da circuncisão como se esta fosse um valor cristão. Entretanto, Paulo conduz os gálatas a um exame mais profundo da questão. O sinal exterior tem valor quando corresponde à condição interior. Como disse aos Romanos, “a circuncisão é proveitosa se tu guardares a lei” (Rm 2.25). Então, o que seria evidência fiel do interior humano? As obras da carne e o fruto do espírito. São marcas do caráter e se revelam nas ações. Estas são as marcas mais importantes na vida de um ser humano. Entretanto, se os judaizantes faziam mesmo questão de marcas físicas, Paulo possuía as “marcas de Jesus”, sinais de todo o seu sofrimento pela causa do Evangelho “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus” (Gálatas 6.17).

O mesmo Paulo, escrevendo aos irmãos em Colossenses 2:16-17, diz: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”.

Cristo é a Luz do mundo, quem está em Cristo não anda em trevas. Por que então voltarmos às sombras? É isso que Paulo deixou claro. Portanto, fica evidente o quanto é descabida a idéia de introduzir costumes dos judeus nas atividades cristãs como cumprimento de mandamento, promessas de nova unção e coisas desse tipo.

Deus estabeleceu uma Nova Aliança em Cristo, pois na primeira os homens se apegaram muito mais aos rituais e aos símbolos do que ao significado dos mesmos. Passaram a viver uma religiosidade vazia e já no período do Antigo Testamento, o Senhor mostrava a sua tristeza com relação a isso: Isaías 1:13-14 “13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. 14 As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.” (Is 1:13-14 ACF)

Usam mal Mateus 5:17, em que Jesus diz: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”.

A palavra cumprir utilizada aqui vem do grego plérõsai, que significa “encher”, “completar”. Jesus não veio revogar ou destruir nenhuma palavra que Deus ensinara aos fiéis do passado no AT. Veio cumprir plenamente o propósito de Deus revelado no AT dando à Lei e aos Profetas aquilo que faltava: o Espírito Santo para interpretá-lo e o poder para pô-lo em prática, pela sua obra salvadora.

Cristo representa o fim do legalismo de se tentar cumprir a Lei, como está escrito em Romanos 10:3-4 “Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”.

Cristo tirou o véu que encobria a Antiga Aliança. Ele revelou o “espírito” da Lei tornando-se carne. Cumpriu fielmente todas as ordenanças impostas pela Lei, dando a verdadeira interpretação a elas.

Ainda que Lei ordenasse o apedrejamento de adúlteras, Cristo perdoou uma mulher apanhada em adultério. Ainda que a Lei designasse o afastamento dos considerados “puros’ dos leprosos, Cristo se aproximada deles, os tocava e os curava”.

Cristo trouxe luz sobre o que eram sombras. Por que, então, voltar à escuridão do legalismo judaico?

Paulo resume esse comportamento da seguinte forma: “Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido”. (2 Coríntios 3:14 ).

Extraído de: http://solascriptura-tt.org
Com auxílio de textos do Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho, Anísio Renato de Andrade, Natanael Rinaldi e site dos judeus messiânicos.

Autor: Clériston Andrade – Juazeiro-Ba

Fonte original:
http://www.cacp.org.br 

 




7 loucuras do Lucinho

Por Thiago Schadeck

Lucio Barreto Jr. é “pastor de jovens” da Igreja Batista da Lagoinha e ganhou notoriedade nacional e até em outros países por conta de seu estilo – apesar de ter passado dos 40 anos, se veste, age  e fala como um adolescente – e pelas “loucuras por Jesus”. Ele ministra o “Seminário Loucos por Jesus” Brasil a fora e ensina aos jovens como ser um crente radical. Desde que ganhou notoriedade, Lucinho marcou sua caminhada com polêmicas. Ele também escreve livros para jovens e tem uma grife que produz as roupas que ele veste e que abarrotam os guarda-roupas de seus seguidores.

 

1- Cheirar a Bíblia para atrair os jovens:

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Essa foto deu a projeção nacional que Lucinho queria. Até ter a brilhante idéia de tirar uma foto cheirando a Bíblia, como se fosse uma carreira de cocaína, Lucinho era apenas um ilustre desconhecido da Lagoinha.
Na época a repercussão dessa foto gerou debates acalorados entre os crentes, de um lado os “loucos por Jesus” que se defendiam com o argumento de que isso teria feito muitos jovens voltarem à igreja, mas nunca conseguiram me apresentar nenhum.
A Bíblia é enfática em afirmar que devemos ser diferentes do mundo, em diversas passagens, Jesus e os apóstolos mostram que o caminho percorrido pelos ímpios os levará à perdição. Paulo diz aos Romanos que eles não devem se amoldar ao padrão desse mundo (Rm 12:2), aos tessalonicenses ele diz que deveriam fugir da aparência do mal (1 Ts 5:22).
Esse gesto do Lucinho só mostra que ele quer usar o mundo para tirar os jovens do mundo.

2- Manda os policiais matarem os bandidos:

Ele usa a referência de Paulo aos Romanos como “licença para matar”,  mas não se atenta a um detalhe: o texto não diz para as autoridades sairem matando a bandidagem ao seu bel prazer, mas que eles são investidos de autoridade para manter a ordem.
Claro que o policial pode, eventualmente, acabar matando um bandido em uma troca de tiros ou em legítima defesa, mas isso não lhe dá, em momento algum, o direito de descarregar a arma em cima de ninguém, como o Lucinho defende.
Isso é apologia à violência. O policial, principalmente o cristão, deve se lembrar sempre de que o trabalho dele é proteger a população e não o de fazer justiça com as próprias mãos.
Como o Lucinho disse, ninguém vai pedir por favor que os traficantes larguem a vida do crime, mas por outro lado, Jesus nos ordenou a pregar o evangelho essas pessoas. Lembre-se do ladrão da cruz, ele está com Cristo no paraíso. Jesus não jogou na cara de que ele era bandido e realmente precisava morrer, mas lhe assegurou a vida eterna.

3- As esposas de Caim e Abel

Seja por ignorancia ou para defender sua visão, estranhamente, o Lucinho não citou a possibilidade mais aceita pelos teólogos, que Caim e Abel se casaram com suas irmãs. Simples assim. A Bíblia relata a criação apenas  de Adão e Eva e mais ninguém. Todos os que vieram depois deles, foram gerados através da gravidez decorrente do sexo, como é hoje. Importante ressaltar que nessa época Deus permitia o casamento entre irmãos por um motivo óbvio: era necessário povoar a terra e só havia uma família sobre ela.
Se Deus tivesse interesse em fazer mais algum ser do pó da terra, certamente o teria feito após a queda de Adão e Eva e manteria sua criação pura e próxima de si.

4- Autopredestinação

Esse medo de responder que não sabe responder sobre algum assunto tem matado muitos líderes. O Lucinho poderia ter dito que não sabia responder ou não ter selecionado essa pergunta para ir ao ar, mas sua presunção, maior que seu topete, não deixa. Nem entro aqui no mérito de ser calvinista ou arminiano, pois há séculos já existe essa discussão entre predestinação e livre arbítrio e não acabará tão cedo. Se é que acabará um dia!
O que pesa aqui é uma resposta sem pé e nem cabeça, em que o Lucinho lê UM versículo, sai divagando num raciocínio confuso e conclui com o seu achismo de costume. Dizer que a pessoa se auto-predestina é a mesma coisa que afirmar que Deus não poderia fazer nada para que ela não fosse para o inferno, porque essa é a escolha dela. O Deus Todo-Poderoso deixou de governar para ver o que as pessoas decidem por Ele.
A nossa natureza caída e corrompida sempre irá tender para o que é mal, para o pecado e se Cristo não nos atrair ao Pai para que o Espírito Santo nos regenere, de forma alguma a nossa situação mudará.

5- MMA e lutas violentas

Só pra variar, o Lucinho lê um texto bíblico para respaudar sua resposta, mas o abandona para colocar seus achismos no lugar das escrituras. Faltou o Lucinho falar que aqueles que lutavam nas arenas, o faziam por uma coroa corruptível e Paulo nos orienta a lutar pela coroa eterna, mas em vez disso prefere aconselhar a bater mesmo pra não perder o “respeito no esporte”. Para coroar as comparações esdrúxulas, ele ainda diz queo futebol é um esporte violento, o que prova que ele também não sabe nada sobre o esporte mais popular do país. Futebol tem regras e qualquer violência é punida, para isso tem o árbitro e os cartões amarelo e vermelho. O futebol é um esporte de contato, com trombadas, disputas firmes, brigas por espaço, mas disso para violento tem um abismo maior que as bobagens que esse rapaz diz.
Em tempo, não sou contra cristãos praticarem artes marciais como exercício físico, mas isso não é alibe para sair baixando a pancada em todo mundo “em nome do esporte”. Eventualmente pode sobrar um soco ou chute errado, mas machucar o oponente não deve ser a regra, pelo menos para os cristãos.

6-Chamou as pessoas de lixo, defendendo o Thalles

Quando surgiu a polêmica com o Thalles (Veja aqui) e o mundo caiu sobre o rapaz da “pressão”, o “homem dos 3”, Lucinho, que é muito amigo de Thalleco, decidiu tomar as dores e defendê-lo. Se disse assustado de como as pessoas estavam criticando o Thalles pelas suas declarações e diz que Jesus soltou o tubarão (Thalles) no aquário para provar os peixes, que traduzindo, ele quis dizer que o Thalles falou aquele monte de besteiras usando toda a sua arrogância para Deus provar o nosso coração e que ele está certo.
Logo em seguida ele solta a pérola: “se você vai pra internet e mete o pau no cara, que tipo de cristianismo é esse que você vive, SEU LIXO? Pois é, o homem do “não critico, só elogio” chama os que denunciaram a soberba de lixo, mas não repreendeu seu amigo que se disse acima de tudo e de todos. Evangelho de conveniência!

7- Preso por tumultuar a festa do Preto Velho

E para encerrar com “chave de tolo” a história que ele conta às gargalhadas, mas que na verdade deveria ter lhe dado cadeia por intolerância religiosa, depredação de patrimônio e perturbação. Temos de entender de uma vez por todas que o Brasil é um país laico – brigamos tanto por isso para colocar a bíblia nas escolas- e portanto cada um adora o deus que quiser. Se temos direito de fazer a Marcha para Jesus, os camdomblecistas tem direito de fazer a festa do Preto Velho. Direitos são direitos.
Lucinho diz que juntou um monte de adolescentes “perturbados” para ir com ele fazer evangelismo, mas a certa altura da festa eles foram descobertos e os adolescentes fugiram, menos um, o Diogo, que ficou parado ao lado dele. Quando o Lucinho percebeu, virou para o garoto e disse: “sai daqui desgraça”, a linguagem pouco educada também é uma marca do referido pastor. A polícia chegou e eles foram presos, mas o garoto não se continha de felicidade e o Lucinho solta mais uma pérola: “sua mula, agora sua mãe me mata”, carinhoso, não?! O garoto estava todo feliz porque tinha sido preso “por causa de Jesus”, fico imaginando os apóstolos de Cristo vendo essa sandice, certamente ensinariam a eles que ser preso por amor a Cristo era muito mais que isso. Eles eram presos por PREGAR O EVANGELHO e não por fazerem arruaça nas festas dos ídolos pagãos.
O desfecho da prisão é pior que a história em si, a viatura encostou e o policial, que também era crente, mandou eles voltarem a ‘evangelizar’ na festa. Por essas e outras que nem policiais e nem crentes são bem vistos no Brasil mais. Se o policial foi chamado para resolver um problema, o mínimo que se espera dele é que cumpra a lei, independente de qualquer outra circunstância. Depois que eles voltaram e a festa acabou, começaram a dança da vitória, rodeando a imagem e imitando índios, como um monte de crianças imbecilizadas.
O pior de tudo vem no encerramento do “testemunho”, quando o Lucinho diz, gargalhando, que um adolescente veio correndo com um pedaço de ferro na mão e deu a ele dizendo ser uma lembrança por aquele dia, era o cachimbo do Preto Velho. Parece que o Lucinho achou isso bonito, comtou com alegria e orgulho.
Esse mesmo povo que vibra com histórias como essa se indigna quando vêem pessoas queimando bíblias, transexuais simbolizando Cristo na Parada Gay, igrejas sendo atacadas e outras coisas. Se inventiva a intolerância, aguente os intolerantes.
O Lucinho não poderia encerrar uma história grotesca como essa sem soltar uma frase do mesmo nível: “se não tem loucura na sua vida, é porque está faltando o Espírito Santo controlar”. Estranhamente não vejo nem Jesus e nem os apóstolos fazendo essas bizarrices nos relatos bíblicos.

Que Deus conceda graça e que o Lucinho desperte dessas loucuras e use toda sua influência para levar os jovens a Cristo e não a experiências de crianças mimadas e idiotilizadas. Ele já passou da idade de fazer essas coisas.
Que os jovens sejam despertados pelo Evangelho puro e simples de Cristo!

Em tempo, antes de vir com o “não julgueis”, “o que você está fazendo pelo reino?”,”quantas pessoas você já ganhou pra Jesus?”, “pelo menos ele está pregando o evangelho” e coisas desse tipo, que ouço toda hora, te convido a refletir se o que esse camarada tem ensinado  (registrado nos vídeos acima) está de acordo com a Bíblia. Se não estiver, não está ganhando almas, nem está fazendo nada pelo reino, não ganha almas e tampouco é evangelho.

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Mitos Evangélicos

CAPA POST

por Renato Santiago (@renatosantyago)

Uma frase muito famosa se enquadra nesse pequeno artigo que escrevo: “Uma mentira dita muitas vezes acaba se tornando uma verdade”. Isso é claro também se aplica ao contexto do Evangelho, visto que desde o Éden o inimigo tenta distorcer a palavra de Deus e implantar sua própria verdade (Gn 3: 1-6).

Sabemos que a Palavra de Deus é autoridade sobre invenções e doutrinas criadas por homens (2 tm 3:16,17), devemos portanto submeter nosso  conhecimento adquirido ao crivo das Escrituras (a menos que seu entendimento esteja tão endurecido pela religiosidade que não admite a hipótese se mudar de ideia), aí é problema seu com Deus.

Mas para aqueles que desejam servir a Deus em verdade (Jo 17:17), e aprender mais das Escrituras (Mt 22:29) listo que aqui alguns mitos do meio evangélico atual que são taxados como verdade absoluta, vou discorrer resumidamente sobre cada tópico e sugerir algumas referências bíblicas para aguçar nossa curiosidade em pesquisar sobre os assuntos (At 17:11). Para estudos mais amplos existe muito material na internet (de preferência sites comprometidos com a teologia reformada). Cristão, pegue sua Bíblia e vamos lá:

Mitos que não tem embasamento concreto na Palavra de Deus e são tidos como bíblicos:

Devorador é um demônio que ataca quem não é dizimista

Nada a ver, o contexto do livro de Malaquias é outro, o capítulo 3 foi escrito para os sacerdotes de Israel, casa do tesouro era um galpão onde se armazenavam os dízimos (alimento) e o devorador era um gafanhoto que destruía a lavoura do povo por causa da desobediência (Ml 2: 1-4 / 3: 6-11);

Devo ungir minha casa e tudo que precisa de proteção

Baseado em Ex 12:7 esse é um erro muito comum, que vale para a maior parte dos tópicos apresentados: as pessoas pensam que acontecimentos e ordenanças de Deus relatados no Velho Testamento se aplicam à igreja hoje, é preciso entender que o V.T. é histórico, ético, moral e profético, aponta para a obra expiatória de Cristo, a Lei se cumpriu n’Ele (Mt 5:17) o véu do Templo se rasgou, a antiga aliança não tem mais valor, entra em vigor a nova e eterna aliança (Mt 26:28 / Mt 27:51 / Hb 12:24) não adianta querer transformar o V.T. em um livro de receitas mágicas para solução de problemas (Gálatas 3);

Os músicos da igreja são Levitas

Pura mística, mais uma invencionice que pegou, os Levitas eram simplesmente os responsáveis pelo serviço no Tabernáculo, escolhidos da tribo de Levi (Nm 1:49-53). Quem canta/toca na igreja ou em grupos de louvor é apenas músico/cantor(a);

Óleo de unção tem poder de operar milagres

Ta aí um objeto extremamente místico, existe óleo para todo tipo de “unção” (prosperidade, cura, proteção, esquecimento, emagrecimento, etc, etc, etc), esse á mais uma aberração difundida pelo neopentecostalismo. E olha que é muito simples desmistificar essa prática, o óleo só é citado uma vez no N.T., no livro de Tiago e com a simples finalidade de oração para cura (e a pedido do enfermo) e ainda assim o texto diz que o que trará a cura é a oração (há estudos sobre propriedades medicinais do óleo usado na época).  Tg 5: 14,15. Óleo não tem poder nenhum, bem como objetos ungidos. Os demônios se curvam ante o nome poderoso de Jesus, o que passar disso é engano e idolatria. O caminho correto é a oração.

Não toqueis nos ungidos do Senhor

Muitos risos, essa é famosa atualmente. É tipo imunidade parlamentar, o camarada faz besteira a torto e a direito, ensina heresias a perder de vista, enriquece à custa da ignorância do povo, usa o nome do Eterno para ficar milionário com vendas de CD’s, DVD’s e shows, e ainda não pode ser questionado em nada que seus fiéis súditos já usam essa passagem em que Davi teve a oportunidade de se vingar de Saul mas respeitou o fato dele ser Rei (e que foi ungido para isso) – 1Sm 24:6. Engraçado que várias passagens da mesma bíblia advertem contra os falsos ensinos e falsos profetas principalmente nos últimos dias mas não são levados em conta (Mt 24:11,24 / 2Tm 4: 2-4 / 2Pe 2: 1-3). Isso só mostra que muitas pessoas estão realmente firmadas em seus líderes, não em Cristo. Falta a coragem que tinha de sobra em João Batista.

Dízimo é obrigação, é lei

Este é um bezerro de ouro difícil de quebrar, não questiono a necessidade de dinheiro para manutenção da congregação e outras finalidades da igreja (principalmente ajudar os membros menos favorecidos e investir em trabalhos missionário), porém se estudarmos as Escrituras veremos que Jesus e os discípulos não estipularam quantia (se alguém quer dar 10% ou outra procentagem é questão individual), esse valor não deve ser usado como moeda de troca com Deus. Contribua sim, mas com alegria, com gratidão, mas não faça como muitos que usam isso para cobrar bênçãos em troca. (2Co 9: 7-9). Se você crê que vivemos no tempo da Graça, por quê acredita no poder de barganha do dinheiro? (agora tem sido difundida a teologia da semente, que é um dos braços da teologia da prosperidade). Se você dá 10% de seu salário por medo do “devorador” e não se importa em como o seu dinheiro está sendo aplicado, lamento informar mas você está vivendo no engano, está sendo negligente com aquilo que o Senhor tem te dado. Quero deixar claro mais uma vez que não estou pregando contra a necessidade de recursos na igreja, apenas reforço que o dinheiro não pode ser usado como parâmetro para medir a fidelidade de um cristão, e muito menos deve se constranger quem não tem condições de ofertar (prática comum hoje em dia). Devemos sim contribuir, cada um de acordo com suas posses (1Co 16: 1,2).

Atos proféticos”, “palavras proféticas”, “sua palavra tem poder” e “determine a benção

Chega a ser patética essa ideia de que nós, seres caídos, pecadores, míseros diante do poder e soberania de Deus, temos algum tipo de poder espiritual, onde o Todo Poderoso depende de nossas palavras ou de nossa vontade para realizar Seus desígnios. Coitada dessa geração arrogante, que se acha cheia de direitos a ponto de dar ordens ao Criador (“eu ordeno”, “eu declaro”, “eu profetizo”). Ele é soberano, você pode “declarar” algo por toda a sua vida que se Ele não quiser fazer não fará. Ou então Ele pode dar ouvidos a uma simples e humilde oração e operar um milagre. A busca por Atos Proféticos (e por tudo que contem o termo ‘profético’) é gerada pela sensação de que a Bíblia não é suficiente para nos falar, para nos corrigir e nem para nos orientar, e muito menos para suprir nossas reais necessidades (2Tm 4:1-5). O fato é que esses atos, encontrados em sua grande maioria no Antigo Testamento, são direcionados à um povo, evento ou situação específica, e a Bíblia está apenas relatando o que houve. A Bíblia não está estabelecendo uma regra ou dizendo que deveríamos reproduzir o ato (é muito comum vermos pessoas imitando os 7 mergulhos de Naamã, fingindo que estão derrubando as muralhas de Jericó, passando dentro de bonecos infláveis com formato de baleia (risos), carregando/orando em réplicas da Arca da Aliança, realizando festas judaicas, tocando Shofar, etc),  o leitor da Bíblia deve observar o que o texto está dizendo, para quem está dizendo e para quando está dizendo. Muitas vezes algumas pessoas erram porque se apropriam de promessas que dizem respeito ao povo de Israel no Antigo Testamento, como se isso dissesse respeito a nós hoje. Portanto, uma coisa é a Bíblia relatar um fato, e outra coisa completamente diferente é a Bíblia dar uma ordem direta e aplicável a nós hoje.  (Dt 18:22).  Esse ensino Neopentecostal está muito em moda nestes dias onde vários pregadores dizem que “Há Poder em Suas Palavras” e expõem um sermão cristão misturado com paganismo místico. Todo este ensino de “há poder nas palavras” surgiu no mundo cristão nos anos 50 quando um pastor americano Norman Vicent Peale lançou o livro O Poder do Pensamento Positivo – em 1952. Era um livro evangélico de auto-ajuda, que ensinava que a fé pode conseguir qualquer coisa. A síntese do livro é a seguinte formula: “Ore, imagine, realize”. Devemos entender que este ensino não provém da Bíblia, mas das seitas místicas e movimentos esotéricos, como a Nova Era, que também ensinam que “as palavras tem poder”. Nem Jesus nem a Igreja Primitiva, nem os apóstolos, assim como em toda a Historia da Igreja Cristã Mundial não encontramos estes ensinos, é algo pagão e provém de mitos, é um ensino que veio do mundo das superstições e compartilhado no mundo pagão sem Deus (2Tm 4: 3,4). Qualquer passagem usada para defender tal ensino é uma afronta a inteligência, pois não existe tal ensino em toda a Bíblia, no Antigo Testamento e também no Novo Testamento. Passagens do Antigo testamento como Provérbios 18.21 ensinam “um poder nas palavras”? O único ensino de “poder nas palavras” que observamos pela Bíblia é o poder destruidor das palavras e seus efeitos. Por exemplo: Através de palavras ofensivas a uma pessoa poderei magoar um irmão de tal maneira que será mais fácil conquistar uma cidade do que aquele irmão (Pv 18.19).

Portanto meus irmãos, sejamos sóbrios e atentos como os bereanos, que não acreditavam em tudo que lhes era dito, antes conferiam nas Escrituras para avaliar se tudo que ouviam correspondia à verdade.

Encerro aqui a primeira parte desse artigo, só o Espírito Santo nos convence verdadeiramente da verdade, que Ele ilumine nosso entendimento e nos ajude a compreender a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

João 14: 6 – E conhecereis a verdade, e a verdade os libertará.

Marcos 7: 7,8b – Em vão, porém, me honram,Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens.